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  • Luiza Avellar

Desmame, desfralde, maternagem

Desfralde, desmame noturno, desmame gentil e gradual, todas essas fases de interrupção de algo que a criança conhece desde que nasceu são consideradas fases extremamente difíceis tanto para a criança quanto para a mãe. Ficamos sempre criando coragem de começar e no percurso temos alguns trabalhinhos. Não vou nem entrar na parte de educação, de disciplina positiva pq sei que cada criança tem um comportamento e resposta diferentes já que tem personalidades diferentes e os pais idem. Mas falaremos aqui apenas da parte do desenvolvimento infantil que é comum a todas as crianças.


Ta bom, eu sei que não sou psicóloga, logo, não sou especialista no tema, mas sou mãe e sou estudiosa do assunto desde que me tornei mãe. Hoje, com a internet e smartphones, temos facilidade de ter acesso a informações de qualidade na palma da nossa mão. Sei que essa não é a realidade do mundo todo, mas as coisas estão mudando. Minha fala aqui é para você, mãe como eu.


Nós passamos por todas essas fases e muitas outras com muita tranquilidade. Muita mesmo. O desmame noturno não teve grandes choros. Fiquei mais de 2 semanas explicando que faríamos isso e o Fernandinho já se comunicava muito bem, falava frases complexas e prestava atenção quando eu falava. Fiz uma contagem regressiva de que o mamá da noite acabaria e mais outras técnicas que realizo como consultora (mas que qualquer mãe pode aplicar) e ele acordou apenas 3 noites para pedir o peito, acordava chorando pouquinho, eu explicava e ele voltava a dormir. Não foram noites de desespero por conta de choro, não senti que ele estava sofrendo e em 3 noites ele já dormia a noite toda sem pedir peito. Se acordasse, bebia água e voltava a dormir.


O desfralde do xixi a mesma coisa. Eu não fiquei vendo os sinais de prontidão porque isso é a maior furada. Mas só sabe disso quem estuda. Por isso bato tanto na tecla que precisamos estudar para sermos mães. A gente estuda pra tudo, pro vestibular, pra uma entrevista de emprego, mas pra maior missão das nossas vidas a gente não estuda. Sinais de prontidão de desfralde, são na verdade, sinais de que o esfíncter está COMEÇANDO (eu disse bem: començando) a se desenvolver. O ideal é esperar para fazer o desfralde quando a CRIANÇA estiver interessada nisso. Ou seja, quando ela pedir, o que chamamos de desfralde natural. Claro que nem todas vão pedir. O Fernandinho, por exemplo, era um que não se incomodava com o uso das fraldas e não pedia para tirá-las, mas eu percebia por conhecer muito bem o meu filho e tudo o que eu estudava, que ele já estava pronto e fui estimulando, apenas na conversa. Ele também já estava entre os 3 e 4 anos que é quando o esfíncter TERMINA de se desenvolver. Aproveitamos que a fralda começou a dar alergia nele e com muita conversa decidimos iniciar o desfralde do jeito DELE. Ele não aceitava privada e nem pinico e então começamos a fazer com que ele fizesse em pé (e não sentado mesmo sendo menino, como pedem alguns pediatras). Depois até compramos aquele mictório de sapinho, mas foi usado muito pouco porque logo ele alcançou a privada e aceitou fazer em pé nela. A prova de que fazer o desfralde NATURAL (esperar o tempo da criança) dá certo é que NUNCA, eu disse, NUNCA tivemos um episódio sequer de xixi escapando e molhando a roupa, tendo que trocar a roupa no meio da rua e tudo mais. Ele sempre soube a hora que queria fazer e pedia pra levá-lo no banheiro. O desfralde do cocô ainda não aconteceu. Estamos conversando muuuito sobre isso com ele, mas ele continua querendo colocar a fralda na hora que vai fazer o cocô e tudo bem, pq a melhor coisa é esperar ele se sentir pronto pra sentar no vaso ou pinico e fazer o cocô ali.


O desfralde da noite está agora acontecendo, antes do cocô. Eu comecei a perceber que quando eu esquecia de colocar fralda a noite (quando saía e chegava com ele dormindo e já colocava direto na cama) ele acordava seco, mas se eu colocasse a fralda acordava encharcada. Com isso, percebi que ele já tinha o controle e só fazia xixi de madrugada pq sabia que estava de fralda. Mais uma vez conversamos e ele concordou nesse processo. Tem 1 semana que ele não dorme mais de fralde, e mais uma vez, até agora, não tivemos nenhum “acidente” (e que a gente só chame de acidente entre nós, nunca na frente da criança).

O desmame total foi guiado por mim, claro, com todas as técnicas e todo amor do mundo. Mas foi feito de forma muuuuiito gradual. Começamos em maio e terminamos apenas agora no último Natal (de 2019). Ele já tinha 3 anos e 7 meses e ele mesmo sabia que o peito não tinha mais tanto leite e mamava muito rápido só para dormir. Conversamos muito muito muito mesmo nessa reta final. Ele sabia que o peito ia acabar, mas que o chamego com a mamãe ele teria pra sempre. O resultado? Só me pediu peito 1 única vez desde que fizemos o desmame, mas eu expliquei e mudei o assunto para distraí-lo e ele não pediu mais. Ele mesmo fala pra todo mundo que não mama mais porque já é grande.


Daí eu resolvi vir aqui contar um resumo desses nossos processos e trazer esse questionamento a vocês: Porque todos esses processos de “perda” que costumam ser tão desafiadores, foi tão tranquilo por aqui? Quando eu falei a palavra “fácil” foi no sentido de serenidade, pq claro que, principalmente o desmame total, não foi fácil pra mim. Mesmo eu que sempre fui muito decidida, sabia oq eu queria mas me pegava ás vezes pensando se eu não parasse. E eu posso afirmar com toda certeza: essa tranquilidade, essa serenidade não tem nada a ver com a personalidade da criança. Isso tudo foi porque eu esperei O TEMPO DO MEU FILHO, e além de esperar ele estar totalmente pronto, eu fiz com muita gentileza e amor, muita conversa (pq as crianças [e bebês também] entendem TUDO).


Quando eu criei o @materniza, criei pensando em ser um espaço multidisciplinar em que eu trouxesse informação para muita gente sobre todos os assuntos da maternidade/paternidade que visam o RESPEITO com a primeira infância. Meu propósito é ajudar famílias a criarem seus filhos de forma que eles se tornem adultos sem traumas, sem problemas emocionais graves (nossa geração tem surto de depressão e transtorno de ansiedade porque?), pra que eles se tornem adultos também mais conscientes e corretos e que possam melhorar o mundo e trazer novos seres que também melhorem o mundo. Os países que já se atentaram que o segredo de um mundo melhor está nas nossas crianças, tem cada dia mais fechado presídios. Porque nosso cérebro é formado quase que por completo até os 3 anos de idade, e depois mais uma grande parte até os 7 anos. Então se a gente presta atenção no cuidado mais humanizado com nossos filhos, desde a concepção e gestação, até o parto, amamentação, criação e educação, estamos criando seres melhores e mais cheios de segurança e amor para dar. Isso não é achismo. É ciência.


Sei que não existe manual de como ser mãe porque existem situações adversas que nos fazem ter que tomar outros rumos, mas ainda sim, se estamos bem informadas e preparadas, saberemos lidar das melhores formas mesmo em situações adversas.

Nossa bolha que fala tanto de humanizar o parto e nascimento precisa falar mais sobre isso, mas precisa falar que não é só humanizar o parto, mas humanizar a maternidade, nos conectarmos a nossa natureza humana e mamífera que somos. Criações de Deus. Fazermos oq for possível dentro de nossa realidade. E o nome “materniza” veio daí: humanizar a maternidade. Essa palavra “humanização” sofre preconceitos, mas nada mais é do que o RESPEITO. Respeito às nossas crianças e respeito a nossa natureza.

É isso. Desejo que todas as mães consigam passar por todos os desafios da maternidade com a leveza que eu passei. Claro que tive outros momentos de desafios além de desfralde e desmame e alguns não foram tão leves assim, porque é isso: situações adversas existem. Mas entendam: se informar ao máximo sobre qualquer que seja o assunto, fará com que você consiga lidar com mais leveza com o maior dos desafios.


Um beijo no coração de todos

Texto: Luiza Avellar, doula, educadora perinatal, consultora em amamentação e principalmente, uma mãe estudiosa.



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