PARTO IDEALIZADO E REAL

          Rio de Janeiro, 02 de Junho de 2016,

 

Muito se fala de Parto Real X Parto Idealizado, mas o que aconteceu comigo é que o que eu idealizei se tornou real e meu parto foi melhor do que eu esperava, pois estava preparada para a dor e meu parto foi super rápido. Estive pensando em como relatar ele para que outras mulheres pudessem ter mais informações e ter a oportunidade que eu tive, se assim desejarem, de ter um parto mais respeitoso. Já se passaram 25 dias que meu ser de luz veio ao mundo e entre trocas de fraldas, mamadas e dormidas consegui um tempinho para escrever.

Primeiro, acho importante contar o que veio antes. Eu sempre quis ser mãe e todas as minhas amigas mais próximas sempre me falavam que nasci para isso, por eu sempre cuidar de todo mundo. Em 2015 eu e meu marido já estávamos planejando engravidar, mas apenas no fim do ano, pois eu estava desempregada e esperando conseguir um novo emprego. Parei de tomar anticoncepcional no final de julho, não só por planejar engravidar, mas porque já tomava há 10 anos e em meio a pesquisas (sempre fui curiosa), descobri que a pílula é mais cancerígena que o cigarro. Em setembro viajamos pra NY e comecei a sentir vários sintomas de gravidez, mas não pensei que fosse gravidez, pois todos os sintomas aparecem também quando uma menstruação está por vir. A minha estava atrasada, mas eu nem pensei nisso, porque achei que estava toda desregulada por ter parado a pílula.

Pouco depois de voltarmos ao Rio foi meu aniversário de 27 anos. No dia (19 de setembro) eu fiz um churrasco para a família, na casa do meu pai, e lá me senti um pouco enjoada. Kaio, meu marido, começou a desconfiar, mais do que eu, que seria gravidez, mas não falamos para ninguém. Saímos de lá e fomos na farmácia comprar um teste. Chegando em casa: POSITIVO! Foi o melhor presente de aniversário que eu poderia ter ganhado. Um filho ou filha vindo para completar nossa família! Contamos para todo mundo logo. A família ficou em festa, principalmente porque do meu lado esse bebê seria primeiro tudo (neto, filho, bisneto, sobrinho...).

Desde minha infância eu já dizia que queria parto normal, pois na minha família todas as mulheres fizeram parto normal, de todos os filhos, e nenhuma falava que a dor era insuportável, porque ela é suportável, apesar de ser a mais forte, se não a gente não passaria por ela. Porém, apesar de falar em parto normal, eu suava frio só de pensar na Episiotomia (que eu não sabia que tinha esse nome, só sabia que era um corte na perereca para o neném sair). Sempre tive medo de médico. Não do médico, mas das coisas que aconteciam nele, como ter que me cortar, ou enfiar um tubo em mim para fazer endoscopia, etc. No ano anterior à eu engravidar eu estava com mania de assistir vídeos de partos, e com isso conheci o Parto Humanizado e o Parto Domiciliar. Mas não sabia se, quando engravidasse, ia querer ter em casa ou no hospital. Me encantava a ideia de fazer Humanizado, sem ter que ser cortada. Além de ser mais respeitoso com o neném.

Assim que soube que estava grávida, fui assistir ao filme “Renascimento do Parto”, que, aliás, eu recomendo para todas as mulheres. O filme tem vários médicos e pesquisadores com PhD, então, desculpem o termo, não é qualquer merda.

Depois de ver o filme, começou a surgir em mim a vontade de ter um parto domiciliar, porque eu entendi como funcionava. Como sempre fui curiosa e gosto de estudar, fui pesquisar sobre o parto humanizado e domiciliar e entender esse mundo. Isso só fez crescer mais o amor por essa escolha. Muita gente reprovou minha ideia, mas muita gente também super me apoiou. Kaio me apoiou de primeira, concordava com tudo o que eu dizia e concordava com todos esses ideais. Ele também assistiu ao filme. Aliás, todo mundo que eu queria contar da minha escolha (apenas os mais próximos) eu colocava o filme para ver, e com isso eu assisti 7 vezes sem cansar. Colocava o filme porque ali explica de forma resumida tudo o que eu vinha pesquisando e as pessoas sempre acreditam mais num médico falando do que você.

Além do Kaio, meu pai, meus avós, minha madrinha, algumas amigas próximas me apoiaram e concordavam com tudo. Alguns outros não expressavam opinião, apenas respeitavam minha escolha. Apenas minha mãe, que era para mim uma das pessoas mais importantes, é que foi contra, mesmo assistindo o filme, e nós brigamos muito no início. Ela achava que estava me dando apoio, só que eu não sentia assim, porque ela sempre vinha criticar a ideia, e se você não concorda, mas respeita, você não fala nada, e ela sempre falava contra. Nós brigamos muito, mas com certeza isso serviu para nos unir ainda mais, pois depois de muitas brigas e muitas conversas, ela entendeu que, mesmo sem aprovar, o apoio dela era muito importante para mim, porque ela é minha mãe. Eu não ia mudar de ideia por causa dela, sempre fui muito segura e determinada com tudo e com isso fui ainda mais, mas ficava magoada. Confesso que eu também não sou fácil e tenho personalidade forte, e não aceitava alguém ser contra sem estudar o assunto. Não entendia como uma pessoa pode ser contra, quando ninguém menos que OMS e Ministério da Saúde e vários médicos com Ph.D. afirmam ser seguro.

O parto domiciliar é tão seguro quanto o hospitalar, é apenas questão de onde a mulher se sente mais segura. Mas se o parto domiciliar for sua escolha, evite contar para muita gente. Você vai ouvir muitas críticas de gente que não entende nada do assunto e ainda vai ouvir: mas minha sogra, minha tia, minha vizinha, etc. é médica (o) e disse que é um absurdo. Como se todos os médicos fossem Deus e soubessem de tudo. Como se a gente não soubesse que até os melhores médicos, aqui no Brasil, podem estar desatualizados. Hoje o parto domiciliar é planejado, não é como era na época dos nossos bisavós. A equipe é treinada para isso, levam todo o material que teria num hospital, e só realizam o parto domiciliar se o pré-natal daquela mulher e bebê estiverem 100% e se houver um hospital de referência muito próximo a residência. Nos países de primeiro mundo é super comum. Detesto quando falam que lá é diferente, que aqui no Brasil não funciona, porque funciona. Ser Brasil e ter todos os problemas que temos aqui não interfere, em nada, se você fizer um plano de parto bem fechadinho, com plano A, B e C.

Enfim, vamos ao que interessa. Pesquisando, encontrei um grupo de parteiras (enfermeiras obstétricas) no Rio e no site do grupo tinha o currículo de todas elas. Fui jogando o nome de cada uma no Facebook, de curiosidade, para ver se tinha amigos em comum comigo. Uma delas tinha, a Tati (Tatiana Freitas). Conversei com ela, marcamos um encontro e me apaixonei pela doçura de pessoa que ela é, desde então. Depois de alguns meses, conheci também a Ariana (Santos), que trabalha em dupla com a Tati e que também é maravilhosa. Pedi indicação de doula pra Tati e ela me deu 2 nomes. Mais uma vez eu olhei o currículo no site do Núcleo Carioca de Doulas e joguei no Facebook para ver amigos em comum e a Gi (Gisele Muniz) tinha. Não tem nada a ver ter amigos em comum, com ser bom profissional ou não, mas, para mim, aquilo pareceu importante, além de ver que o currículo era bom, porque o parto é algo tão íntimo e tão pessoal que eu achei legal o fato de ter um amigo em comum. Se nenhuma delas tivesse amigo em comum, não seria problema também. Foi só um plus, para me sentir próxima a elas. E você tem que gostar da sua equipe, simpatizar, para que a confiança exista. Eu mais que simpatizei com as 3, eu amei as 3.

 

Além de todas as informações que eu tinha, elas me deram mais informações. Conforme foi chegando o nono mês, eu não estava nem um pouco ansiosa. Até tinha uma ansiedade para tê-lo nos braços, mas não aquela ansiedade que te dá angústia, medo. Eu estava muito segura de mim, apesar de estar sentimental, como toda gravida. E nunca, mas nunca mesmo, eu tive medo da tão falada “dor do parto”. Assisti muitos vídeos de partos humanizados e tinha muito forte na minha cabeça, o que eu ouvi e plenamente concordei no documentário, a ideia de que dor e sofrimento são a mesma coisa, e o nascimento de um filho jamais será um sofrimento, é um momento de muita luz, um momento tão lindo que aquilo que a gente chama de dor não é dor. Dói, mas é uma dor boa, por mais forte que seja, porque cada contração é um passo mais perto do momento que o bebê nasce, então temos que aprender a gostar dessa dor. E foi com essa cabeça que eu fiquei. Conversei com meu pai e minha mãe e decidi que queria eles 2 presentes no grande dia, e pedi para minha mãe, que é ansiosa, controlar a ansiedade dela para não me estressar no dia.

Uma semana antes do grande dia meu tampão mucoso saiu alguns pedaços. Comecei a sentir cólicas leves em alguns dias, mas tudo normal. Na sexta-feira, dia 06 de maio de 2016 (com 38 semanas e 4 dias), comecei a sentir contrações leves, e na minha concepção, as dores de contração não são cólicas, mas sim uma dor que queima toda a parte baixa da barriga e a pelve e irradia para a lombar e você não sabe de onde vem essa dor. Às vezes até vem umas pontadas de cólica, mas não é o principal. As contrações que eu estava sentindo ainda eram muito irregulares e fracas. Baixei um aplicativo que contava as contrações e estava em contato com minha equipe pelo WhatsApp, e falaram para eu seguir com a vida normal, porque poderia ser alarme falso. Saí para jantar com o Kaio. Voltei para casa e, na hora de dormir, nem sentia mais nada. Sábado acordei sem sentir nada, fui para a comemoração de aniversário da minha sogra, voltei para casa e assisti um filme à noite. Voltei a sentir as contrações, mas estavam ainda leves e irregulares. Fui dormir e passou.

Acordei às 4:30hrs da manhã sentindo contrações mais fortes, ainda irregulares, mas não tão irregulares como antes. Umas 5hrs e pouca da manhã uma das meninas viu o WhatsApp e falou que eu poderia ir para o chuveiro. Lá eu fiquei com a água quente caindo nas costas durante quase 1h. Resolvi sair de lá porque apesar da água quente aliviar muito a dor, eu comecei a sentir muito calor. As contrações estavam vindo, mais ou menos, de 7 em 7 minutos, mas para considerar trabalho de parto tinham que vir de 5 em 5 minutos. No chuveiro eu ainda estava consciente, porque lembro que pedi para o Kaio ligar para o meu pai e minha mãe, para falar para eles virem para cá e só sosseguei quando vi ele ligando. Pedi também para ele acordar minha avó, que mora com a gente, e meu tio, que tinha vindo de Miguel Pereira para passar o dia das mães com ela, e pedir que eles fossem para a casa da minha mãe. Eles sabiam que, se eu entrasse em trabalho de parto, isso aconteceria. Saí do chuveiro e me deitei na cama, sob o lado esquerdo, já eram quase 7hrs, eu acho. Nesse momento comecei a ficar em transe. Já tinha ouvido falar que quando o trabalho de parto realmente começa, você entra em transe, mas você só entende isso quando acontece. É um estágio que você está consciente e, se alguém falar com você, você vai ouvir, mas você não fala com ninguém, não pensa no que está ao seu redor, você só quer ficar ali, concentrada no trabalho de parto e relaxar entre uma contração e outra. Eu acho que meio que dormia entre uma contração e outra, de tão relaxada que eu ficava por causa do transe.


A dor ela começa fraca e vai aumentando, até atingir o pico. Daí ela vai diminuindo até sumir e você relaxa para a próxima que vai vir. Quando começava, eu começava a gemer. Chegava no pico eu já estava berrando e depois ia gemendo de novo. Não é um berro de desespero e medo, é um berro que ajuda a aliviar a dor e passar o tempo. Pouco tempo depois que deitei na cama a minha equipe chegou. Chegaram as 3 juntas. Elas tinham dito para o Kaio que iriam lá para me ver e, se não engrenasse, elas iriam embora, mas engrenou assim que elas chegaram, que foi o momento que comecei a não saber mais de nada. Meu pai já estava aqui em casa. Minha mãe acho que chegou junto com elas. Lembro que, na cama, em algum momento, eu pedi para comer uma maçã, porque estava com muita fome, afinal, estava em jejum, sem café da manhã, mas quando a maçã chegou eu comi um pedaço pequeno e não quis mais. Acho que foi o suficiente para me dar energia, porque nesse estágio você não consegue mais comer. Pedi também para beber água gelada e dei um gole e não quis mais. O Kaio estava ao meu lado, me dando a mão o tempo inteiro. Não saiu do meu lado. Cada contração eu apertava a mão dele e isso me dava força e apoio. Acho que esse clima de amor e tranquilidade libera tanta ocitocina que tudo flui mais rápido. Se a mulher fica com medo e insegura, o processo é atrapalhado e demora mais.

 

Cada contração, só de eu começar a gemer, a Gi já vinha e fazia massagem na minha lombar com óleo. Depois eu fiquei sabendo que tive uma reação alérgica ao óleo, que minha pele ficou vermelha, mas eu não senti absolutamente nada. Vai ver ficou vermelha por esfregar tanto os dedos, porque eu não senti incomodo nenhum, nem durante e nem depois do parto, e também não tinha vermelho nenhum. Se a Tati não me contasse, eu não ia saber. Em algum momento, não sei que horas, porque a essa altura já não sabia mais que horas eram, a Gi perguntou se eu queria ir para a bola de pilates. Sentei lá e debrucei na cama, mas acho que não fiquei muito tempo lá, a cama estava mais confortável. Lembro que perguntei que horas eram, não por desespero ou angustia, mas só por curiosidade de saber quanto tempo já tinha passado. A Gi respondeu: não se preocupa com isso Lu, se concentra que você está indo super bem. Mas logo depois disse que já eram 10hrs e pouco. Eu sabia que estava indo bem, mas estava curiosa de saber o tempo. Pedi para chupar um gelo na cama porque tinha sede e calor, mas não queria beber água (eu sempre tive mania de chupar gelo).

 

Mais para o final do trabalho de parto, uma das meninas me perguntou se eu queria ir para a piscina, que já estava armada e com água quente na sala. Eu fui. Fiquei meio que ajoelhada ou de cócoras, mas apoiada para a frente, de bruços na beira da piscina, de mãos dadas com o Kaio. Às vezes apoiava a cabeça nas coxas dele. Ele estava sentado do lado de fora da piscina num banquinho. A Gi e o Kaio ficavam revezando em jogar água quente, com um potinho, nas minhas costas, quando as dores vinham. Pedi para ligar o ventilador de teto porque a água quente, apesar de boa para dor, estava me dando calor de novo. Pedi de novo para chupar um gelo. Meu pai trouxe uma pedra de gelo gigante. No meu momento de transe eu olhava para o gelo e olhava para o meu pai tentando pensar em como eu iria comer um gelo tão grande que não cabia na minha boca direito. Depois de pensar alguns segundos eu falei: Pai, tem gelo menor. E ele foi buscar o gelo menor. Lembro também da imagem do meu pai colocando lençol na janela para ficar mais escurinho, porque a cortina daqui não segura muito a luz.

 

Em algum momento minha mãe sentou ao meu lado e pediu para ficar no lugar da Gi jogando água nas minhas costas. Acho que ela queria participar e ajudar de alguma forma. Minha mãe se comportou muito bem, ficou quietinha e sem demonstrar ansiedade. Apenas nessa hora ela quase atrapalhou. Ela perguntou: “Lu, você quer uma água gelada? ” E eu: “Não mãe, brigada. ” Aí ela em seguida: “Você quer comer alguma coisa? ” E eu: “Não mãe, brigada. ” Ela em seguida de novo: “Você quer mudar de posição? “ Aí eu: “Mãe, fica quietinha e só joga água nas minhas costas. Se eu quiser alguma coisa eu vou falar. “ Só queria me concentrar e permanecer em transe. Ela ficou quietinha e continuou a se comportar. Depois rimos disso.

 

Logo depois minha mãe também foi preparar o arroz porque já era quase a hora do almoço e a gente tinha feito comida e congelado, justamente para ter o que comer no parto. Só não tinha arroz. Acho que foi por aí que eu entrei no expulsivo. O expulsivo para mim é a parte mais difícil. As contrações são mais fortes, os intervalos entre elas muito menor, ou seja, tempo de descansar quase não tem. Além disso, vem aquela famosa vontade de fazer força que tanto falam, e quando você faz a força dói muito, queima, que é o bebê passando, e aí quando acaba você pensa que não quer fazer força na próxima, mas você não consegue não fazer. É automático, instintivo, impossível não fazer a força, e aí, já que tinha que fazer a força, eu tentava fazer o máximo que eu podia, para acabar mais rápido. Quando eu fazia a força eu me levantava um pouco, em vez de ficar de bruços e apertava muito mais forte a mão do Kaio. Tão forte que ele disse que parecia que ia quebrar a mão dele, que ele não sabia que eu tinha essa força, e nem eu. Teve um momento que ele não me deu a mão e eu agarrei na batata da perna dele tão forte que ele falou: “Amor, tá machucando. ” Ele disse depois que eu quase rasguei a panturrilha dele. O Kaio é muito zen, tranquilo, ficou calmo o tempo todo me ajudando.

 

Acho que foi durante o expulsivo também que minha bolsa estourou, porque eu senti uma membrana saindo. Perguntei pra Gi o que tinha saído e ela disse que era a bolsa. No meio do expulsivo eu estava com muita dor e perguntei pra Gi: Isso aqui já é o expulsivo? Ela fez que sim e eu voltei para minha concentração. Acho que perguntei isso porque, essa hora, eu estava com bastante dor quando fazia força e queria saber se já era o final, para saber que eu estava quase lá. Queria uma confirmação. Acho que também no expulsivo eu fiz cocô. Sim minha gente! Não temos que ter vergonha disso, pois o parto é todo fisiológico e com as forças que fazemos é natural fazer cocô, acredito até que as parteiras já estejam acostumadas com isso. No fim do expulsivo, de tanto fazer força, eu comecei a ficar com a parte de trás da coxa com dor e sem sentir direito as pernas, meio dormente. Quando veio a antepenúltima contração eu falei que estava sem força nas pernas e acabei sentando com as pernas flexionadas por cima da piscina e elas perguntaram se eu queria que o Kaio entrasse na piscina e me segurasse por trás para me dar apoio. Eu já estava sentindo que a cabeça estava quase saindo. Segurava a minha virilha de tanta pressão. Eu disse que sim, e ele entrou e me segurou por trás. Nisso veio a penúltima contração e a cabeça saiu. 1 minuto depois ou menos veio a última contração e o corpinho dele saiu. NASCEU! (Com 38 semanas e 6 dias) .Elas pegaram ele e colocaram no meu colo, ainda dentro d’água. Eu chorei, Kaio chorou, ouvia o choro da minha mãe atrás de mim. Um choro da maior felicidade do mundo. Meu pai estava filmando tudo pelo celular. E assim o Luiz Fernando, meu Fernandinho, meu Dinho nasceu, no dia das mães, chegando como um presente. Já tinha sido presente de aniversário e agora de dia das mães.

 

Meus dois cachorros (sim, eu tenho dois cachorros pequenos e que assistiram o parto) ficaram quietinhos o tempo todo. Os animais são muito sensíveis e percebem essas coisas. Eles só latiram no momento que o Fernandinho nasceu, meio que anunciando a chegada dele. Foi lindo até isso. Mais uma vez, defendo que o ambiente domiciliar, mesmo com animais, não tem esses problemas de bactérias. As pessoas têm medo do contato com o animal por causa de bactérias, mas as bactérias da nossa casa fazem bem para a gente, servem até de anticorpos. Não teria sentido tirar meus cachorros de casa, até porque a minha casa é o ambiente que ele nasceu e está sendo criado, logo, tudo o que tem aqui dentro, o bebê precisa ter contato, porque se ele nasceu aqui, o natural é que permaneça tendo contato. É diferente de uma bactéria hospitalar.

 

Eu lembro que, assim que ele nasceu, eu pedi para ir para cama porque estava muito cansada. Elas pediram para esperar e voltaram, logo em seguida, de dentro do meu quarto e me levaram para lá. Fiquei lá, sendo examinada por elas, e meu ser de luz, o Luiz Fernando também, sendo examinado, no meu colo o tempo todo. Foi para o meu peito mamar. Elas ainda ficaram umas 4hrs na minha casa.

 

O cordão parou de pulsar 1h depois e o Kaio cortou. A placenta ainda não tinha saído e elas foram examinar para ver se estava solta ou presa. Só de cutucarem minha barriga ela saiu cuspida de mim. Estava tudo certo. Foi tudo perfeito, tudo como planejei e imaginei. Não entrei em desespero em momento algum, não pensei em desistir, não pensei em anestesia, fui fiel ao meu parto idealizado, até o fim. A única coisa que precisei foi uma injeção de ocitocina, no fim disso tudo, para o útero voltar mais rápido, pois estava demorando. E tive uma laceração no períneo grau II, que é bem grandinha, mas você não sente nada demais perto do que sentiu no parto. Apenas uma pressão na região quando fica de pé, que em questão de dias isso some. A Ariana perguntou se eu queria tomar ponto, e eu que sempre fui medrosa para essas coisas falei: “Por que? Tem a opção de não dar ponto? Se tiver eu não quero ponto não, tenho pavor! HAHAHAHA. ” E ela colocou gelo por 20 minutos por 2 vezes seguidas e o sangramento local parou, com isso não precisei dar ponto. A cicatrização é até mais rápida, eu acho, porque tem mulher que o ponto infecciona.

 

Minha mãe, meu pai, meus avós, todos ficaram falando que eu sou uma heroína e que mostrei que a gravidez e parto não é uma doença e sim um processo fisiológico, como fazer xixi e coco. Todos os mamíferos conseguem, porque o homem seria diferente? Minha mãe falou que eu fui muito corajosa, que eu sempre fui a filha mais medrosa e mostrei o contrário, mas ao mesmo tempo que concordo, acho que foi justamente por eu ser medrosa que optei pelo processo mais natural possível, porque o que é natural não me assusta, e sim as intervenções desnecessárias. Até as meninas, quando agradeci, falaram: Lu, você não tem nada que agradecer, você fez tudo sozinha. E sim, eu fiz tudo sozinha, meu corpo fez, a natureza fez. Mas, mesmo assim, eu tenho que agradecer essas três, por entrarem na minha casa, na minha família, com tanto amor, carinho e cuidado, por serem tão atenciosas, por tudo! E preciso agradecer também ao Kaio, meu pai e minha mãe, por todo o apoio que me deram e pelo amor que sempre me dão.

Eu lidei de forma tão natural com tudo, porque é realmente tudo tão natural, que até a amamentação eu não tive dificuldade, pelo menos até agora. Meus mamilos não racharam, a pega foi correta desde sempre. Graças a tudo o que pesquisei, estudei e também ao meu psicológico. Por isso eu digo para as mulheres que o psicológico é tudo. Se preparem, pesquisem muito, fiquem seguras e façam a escolha dos seus corações, sem medo do que os outros vão dizer, sem se deixar influenciar, porque a cabeça tranquila e o conhecimento no assunto vão fazer as coisas fluírem de forma mais fácil, rápida e tranquila, em todos os aspectos. Uma cabeça boa é fundamental para isso. Dessa vez vou ter que deixar a modéstia de lado e dizer: estou muito orgulhosa de mim! Muito orgulhosa de mim, do Kaio e do Dinho, meu ser de luz. Faria tudo de novo. A dor é forte, das mais fortes, mas não é sofrida, é só amor e a transformação de uma mulher em uma mãe. <3

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